Em 2006 fui convidado pelo então comandante do CIAGA, CMG Barcelos, para premiar dois alunos formandos daquele ano. Aceitei sensibilizado desde que pudesse escolher as matérias a premiar, o que me foi concedido. Da Náutica escolhi Estabilidade e da Máquina escolhi Automação. Estabilidade porque, para mim, quando aluno do 3º ano da EFOMM, foi a matéria mais difícil e até hoje nutro imenso respeito pelo meu Professor Comandante Adilson Coelho que ainda ministra aula no CIAGA aos 84 anos de idade.
Como estava nos Estados Unidos à época do convite, comprei os prêmios lá mesmo. Achei que eletrônicos atenderiam o objetivo e pedi sugestão naquele ano de 2006. Ofereceram-me o Zune, da Microsoft, que era o correspondente e concorrente ao iPod da Apple. Garantiram-me que não havia ainda no Brasil pois estava sendo lançado nos Estados Unidos apenas naquela semana. Pedi, então, que além do aparelho, juntassem tudo mais que fosse necessário, como carregador, fone de ouvido etc.
Após a entrega dos prêmios perguntei aos agraciados se haviam gostado do prêmio; responderam positivamente. Aproveitei o momento para perguntar àquela turma de 2006 que prêmio mais gostariam de ganhar para que no próximo ano eu já entregasse o melhor prêmio na opinião dos alunos. Para minha surpresa a grande maioria escolheu o cheque, ou seja, valor em dinheiro ao invés do presente ou do prêmio. Assim eu fiz em 2007: entreguei para cada um dos dois agraciados um envelope com um cheque dentro no valor suficiente para comprar um notebook. Eu tinha que indexar o valor de alguma maneira para manter o parâmetro ano a ano e a indexação foi um notebook, prêmio que considerei razoável a um formando de graduação, alguém que estava se formando no nível superior completo.
Entretanto não me agradava premiar em dinheiro porque o dinheiro acaba e nada resta para se recordar da marca alcançada. Foi quando surgiu a ideia, para 2008, da placa e das panóplias: a placa registraria o nome dos agraciados para a eternidade e as panóplias seriam mantidas pelos agraciados eternamente em suas residências. Isto foi feito retroativamente aos quatro agraciados anteriores, os de 2006 e de 2007, mandando entregar suas panóplias pelo correio.
Abandonei a ideia do prêmio em dinheiro pois percebi que se iniciava uma corrida entre os premiadores ou patrocinadores visando quem ofereceria o maior prêmio, o que para mim não só não fazia sentido como ia de encontro a ideia da premiação pela conclusão de um curso superior. Então, junto com a panóplia, passei a entregar o meu cartão de visitas dizendo a cada um dos agraciados para mantê-lo e que entrassem em contato direto comigo se e quando, mas sempre que, precisassem de algum apoio ou auxílio profissional. No meu entender isso valia, e ainda vale, muito mais do que dinheiro.
Do CMG Barcelos ao CA Álvaro Lemos, passando pelo CMG Jordão e pelos CA Mathias, Dibo, Primo, Cardoso Gomes, Aguiar Freire, Lourenço, Vanley, Viamonte, André, Ruiz e Humberto Carmo, a parceria entre a Marinha do Brasil e a De Moura Shipping rendeu muitos frutos em prol do EPM.
À época, em 2008, pareceu a todos uma utopia eu ter planejado o prêmio para 20 anos de premiação, de 2006 a 2025. Chegando hoje à 20ª premiação, a utopia transformou-se em realidade.
Tudo pela PÁTRIA!